Na noite desta quinta-feira, 30, foi realizado o evento virtual CRA-RS Recebe, promovido através da Câmara Especial de Ensino do Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS). O painel reuniu mais de 100 participantes, entre professores, estudantes e profissionais da Administração do Estado, que discutiram os desafios da educação superior na pandemia e como cada instituição de ensino se adaptou frente o novo cenário.

O debate, mediado pelo coordenador da Câmara de Ensino, Nilson Varella Rübenich, iniciou pela troca de experiências dos professores acerca das tecnologias utilizadas. Beatriz Athanasio (Famed) contou que os pontos cruciais de análise foram o número de alunos e qual plataforma utilizar. “Tivemos que encontrar uma solução de forma muita rápida, então montamos tutoriais para os alunos e professores e nos disponibilizamos em tempo integral para auxiliar nesse processo de ensino no ambiente virtual”, explicou. 

Os painelistas destacaram que a maior preocupação era conciliar a manutenção do calendário acadêmico com um formato que funcionasse para os alunos que, na maioria dos casos, também trabalham e moram com outras pessoas. O resultado disso foi um rearranjo das dinâmicas de sala de aula: “Fizemos uma mescla de aulas gravadas e ao vivo, ajustando gradualmente conforme percebíamos dificuldades de aprendizado e até técnicas, como a falta de internet”, disse o professor Eduardo Sabrito, da Unilasalle. 

De acordo com Diogo Pires (UniRitter e Fadergs) e Adroaldo Lazarotto (PUCRS), as ferramentas informais como o WhatsApp também foram essenciais na troca de informações. Tanto as turmas quanto os professores criaram grupos e se auxiliaram através da gravação de vídeos explicativos em caso de dúvidas sobre como usar as ferramentas, por exemplo, o que aproximou ainda mais o contato entre todos. 

Através do chat, os participantes também trouxeram questionamentos, principalmente sobre a adaptação dos trabalhos de conclusão de curso e das bancas de aprovação. A professora Cilane da Rosa Vieira relatou que na Faculdade São Marcos, onde leciona, ficou definido que as bancas seriam transmitidas ao vivo através do Facebook da instituição. Segundo ela, isso gerou, em um primeiro momento, muita insegurança nos estudantes, mas também se tornou uma experiência enriquecedora.

“Resolvemos entrar na plataforma 30 minutos antes com cada aluno, testar todos os equipamentos, fazer uma simulação e acalmá-los.  Eles acabaram felizes em saber que outras pessoas poderiam assisti-los, como familiares e amigos, visto que a transmissão ficou salva por 24 horas”, contou. 

Por fim, houve um debate sobre as gerações de alunos e professores e se essa diferença impactou o ensino remoto. Para Caroline Prates, da Cesuca, flexibilidade à mudança não tem a ver com idade ou geração, por isso é necessário usar da empatia para entender que a situação é um desafio para todos. Ela conta que foi assim que superaram a questão da conectividade, possibilitando o agendamento dos laboratórios para os alunos que não têm computadores, ligando pelo celular ou até mesmo fazendo contato com a família. “Nós oferecemos suporte de todas as formas possíveis. Depois que passa essa avalanche, é muito gratificante olhar para trás e ver tudo que conseguimos construir em um tão curto período de tempo”, finaliza.