CRA-RS Recebe discutiu o papel do profissional de Administração na implantação de políticas públicas

CRA-RS Recebe discutiu o papel do profissional de Administração na implantação de políticas públicas

A primeira edição do CRA-RS Recebe online do ano foi realizada no último dia 11. O evento, realizado em parceria com o Grupo de Excelência em Gestão Pública do CRA-SP, teve dois painéis nos quais foram discutidos o papel do profissional de Administração na efetividade e na implantação de Políticas Públicas. Pelo CRA-RS participaram o Adm. Júlio Abrantes, professor, especialista em Administração e Estratégia Empresarial pela Ulbra, e o Adm. Carlos Hoffmann, professor e especialista em Gestão Pública Municipal da Prefeitura de Porto Alegre e responsável por fazer a mediação do evento.

Os representantes do CRA-SP no debate foram o Adm. Murilo Lemos, conselheiro da instituição e vice coordenador do Grupo de Excelência em Gestão Pública, e o Adm. Fábio Rinaldi Manzano, sócio proprietário da AM Assessoria e Consultoria, especializada em gestão pública.

Um dos temas abordados no evento foi o papel do administrador no funcionalismo público. Para Murilo Lemos, ao contrário do que se pensava até alguns anos trás, aumentaram muito as opções para além de prestar um concurso e ingressar no serviço público. “Hoje, o administrador pode trabalhar no terceiro setor, no Sistema S, em partidos políticos, seguir uma carreira acadêmica e até mesmo em organismos internacionais. Isso mostra que o campo de atuação é muito vasto e por ser tão amplo ele precisa trabalhar em cooperação com profissionais de outras áreas, mas é preciso achar um equilíbrio para o administrador não pensar que ele pode resolver tudo sozinho, mas também tem que saber se posicionar no mercado,” destacou.

Já o administrador Júlio Abrantes criticou os concursos públicos que, segundo ele, estão em total descompasso com a realidade do trabalho na gestão pública. “Essas instituições estruturam seus concursos apenas só com base no conhecimento e entendem o ingresso como uma questão estanque. Via de regra as partes sobre habilidade, relacionamento e busca por resultados não são exigidas nos concursos e precisam ser desenvolvidas. E é por isso que vemos administradores em funções públicas bastantes descontentes no ambiente de trabalho porque não sabem transformar apenas o conhecimento exigido no concurso em resultado”, vaticina.

O incentivo à inovação na gestão pública municipal foi outro tema discutido no evento. Segundo Fábio Manzano, que presta consultoria para prefeituras, para alcançar esse objetivo é preciso passar por duas etapas. A primeira é que haja estímulo à colaboração externa de diferentes atores que não fazem parte da administração pública, que vão trazer outras perspectivas para a gestão municipal; e a segunda passa pela requalificação contínua dos gestores por meio das boas práticas, que são fundamentais para uma gestão pública eficiente. Em ambos os casos, segundo ele, a finalidade deve ser a desburocratização da máquina pública, facilitando a vida do cidadão.

O mediador Carlos Hoffmann encerrou o evento afirmando que a administração pública brasileira está em crise de resultados efetivos para a população. “Não estamos conseguindo gerar valor para a sociedade, com diversas crises instaladas ao mesmo tempo: crise ética, de controle, de transparência, de gestão profissional. É preciso focar nos resultados e não na burocracia. Esse é o papel do administrador com o apoio das demais carreiras: exercer a administração como centro da gestão pública com foco no cidadão”, conclui.

- - -

Confira o debate completo aqui!