
Créditos da foto: João Stein
Para quem busca o conhecimento constantemente, seja em uma instituição de ensino superior (IES) ou no mercado de trabalho na área da Administração, o Encontro Gaúcho de Administração (EGAD) cumpriu com seu propósito de fomentar o debate sobre a temática e oferecer ferramentas importantes para desenvolver competências e habilidades do público presente.
Nos dias 6 e 7 de novembro de 2025, o Centro de Eventos da Amrigs, em Porto Alegre (RS), foi palco da primeira edição do EGAD, que teve como tema central “Da Academia ao Mercado: Desafios e Oportunidades para os Profissionais de Administração”. O evento foi realizado pelo Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS), com patrocínio do Conselho Federal de Administração (CFA), patrocínio diamante do Sindilojas Porto Alegre e patrocínio prata do Sicredi.
No dia (6) quinta-feira, a abertura do evento contou com patrocinadores e representantes das instituições de ensino parceiras do EGAD 2025, também com uma palestra sobre inovação que deixou o público motivado. Já na sexta-feira (7), o evento apresentou quatro painéis: Feevale, UCS, Unisinos e IFRS - campus Restinga. No total, mais de 200 pessoas participaram do evento. Para 2026, já está prevista nova edição do encontro.
Abertura e palestra “UAU”
“Fator Uau - A melhor palestra de mudança de mindset da história!”, foi o assunto do palestrante responsável pela abertura do EGAD, Denilson Menezes Shikako. Fundador da Fábrica de Criatividade — empresa de treinamentos corporativos focada em soft skills e people skills, com sede em São Paulo –, Denilson cativou todos que estavam presentes com seu brilhantismo ao falar sobre felicidade no trabalho, criatividade, inovação e pensamento crítico.
“Se você não acha que inovação e criatividade é para você e sua empresa, provavelmente quando alguém tiver um problema, você não vai pensar de um jeito diferente; vai fazer do mesmo jeito de sempre. Aprender a gostar de pensar diferente é uma coisa que a gente não aprendeu, e eu vou tentar trazer alguns padrões para fazermos isso aqui”, frisou logo no começo, dando a tônica do que seria a palestra.
Para Denilson, inovação só existe quando se gera um diferencial com valor para as organizações, e nós todos temos uma história de inovação, mas nunca lembramos das nossas ideias. Ele discorreu, também, sobre a importância de se dar um feedback adequado e humano aos colaboradores que pensam diferente e sugerem ideias criativas: “Troquem o ok pelo uau. A palavra-chave da inovação é ‘uau’”, sugeriu.
Antes da sua exposição ao público, houve o ato oficial para marcar o início do EGAD. Subiram ao palco o presidente do CRA-RS, Adm. Flávio Cardozo de Abreu, o conselheiro federal Adm. Emir José da Silva, o reitor da Feevale, Adm. José Paulo da Rosa, o sub-reitor do campus Universitário da UCS da Região dos Vinhedos, Fabiano Larentis, o diretor geral do IFRS - campus Restinga, Rudinei Müller, a decana da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, Patrícia Martins Fagundes Cabral, o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Adm. Arcione Piva, e o Gerente de Segmentos da Sicredi Origens RS, João Gabriel Senff.
IA, gestão, novas tecnologias e liderança empreendedora
O segundo dia de EGAD começou com o painel “Inteligência artificial na gestão: um olhar sobre as competências profissionais do administrador”, realizado pela Feevale. Os professores Adm. Marco Antonio Mabilia Martins e Adm. Marcelo Paveck Ayub foram os painelistas, enquanto o presidente do CRA-RS, Adm. Flávio Abreu, atuou como mediador.
De acordo com Marco Antonio, o profissional de Administração deixou de ser um executor de processos para ser um “orquestrador de inteligências”. Durante a sua fala, ele enumerou segmentos como marketing, cadeia de suprimentos e controle e avaliação de resultados, entre outros, onde a IA facilita a vida do Administrador e das organizações. “A IA não é só boa para as empresas, ela é boa para as pessoas, e isso traz um cenário de certezas", concluiu.
Na sequência, Marcelo Ayub trouxe a perspectiva das finanças a partir do advento da inteligência artificial. Atualmente, as plataformas de IA já cruzam dados de consumo, geolocalização e histórico de crédito, e as mesmas preveem o comportamento do cliente antes mesmo da solicitação. É o caso de instituições como Bank of America, IBM, Nubank e Itaú, por exemplo. “A IA faz as contas. O administrador decide o que fazer com elas”, pontuou.
Finalizando a manhã, aconteceu o painel da UCS “Tecnologias aplicadas à gestão”, com participação dos painelistas Adm.Giancarlo Dal Bó, Adrieli Alves Pereira Radaelli e Adm. Mateus Panizzon e mediação da vice-presidente Institucional do CRA-RS, Admª. Mônica Spinelli Couto.
Conforme Giancarlo, “paradoxalmente, mesmo com o avanço desenfreado da tecnologia, nunca se falou tanto de gestão de pessoas e humanização de processos como hoje”. Adrieli abordou os métodos e as técnicas que combinam teoria e prática na academia da atualidade, ressaltando que o futuro é “tecnológico, colaborativo e humano". Último a se apresentar, Mateus citou o dilema que as universidades enfrentam com relação ao investimento em infraestrutura, afirmando que em muitos casos, é necessário averiguar qual será o comprometimento dos alunos em usufruir do espaço físico antes de colocação de recursos por parte das instituições: "Também depende do nível de interesse dos estudantes".
Primeiro painel da tarde e terceiro do dia, “Liderança Empreendedora”, da Unisinos, teve como painelistas os Administradores Cláudia de Salles Stadtlober, Bruno Anicet Bittencourt e Luciane Maines da Silva, com mediação do Adm. Rafael Vescovi Bassani.
O líder empreendedor, segundo Cláudia, precisa contemplar visão estratégica; foco em inovação; autoconfiança e resiliência; capacidade de inspirar equipes; gestão de riscos e aprendizado contínuo. Para ela, liderar representa “influenciar vidas e moldar um futuro melhor", aliando proatividade, inovação e adaptação.
Para Bruno, a melhor palavra para definir o líder empreendedor é “inquietação”, característica principal que o difere do líder tradicional. Além de pontuar a ambidestria como elemento essencial às organizações, mencionou que pela primeira vez, nós temos quatro gerações distintas trabalhando nas empresas, o que se constitui como um grande desafio aos gestores.
Luciane, por outro lado, fez uma ressalva com relação à inteligência artificial: "Hoje é a IA, e daqui a 5 anos a gente vai estar falando de outra coisa que vai ser disruptiva". Segundo ela, ainda há uma hierarquização muito presente nas organizações mais tradicionais (se sabe quem é o presidente, diretor, etc.), algo que deve mudar com o passar do tempo.
Último painel do EGAD, “A inserção de uma instituição de ensino pública federal no bairro Restinga, seus desafios e oportunidades de contribuição para o desenvolvimento da comunidade, a partir da formação de profissionais da Administração”, do IFRS - campus Restinga, contou com os painelistas Divane Floreni Soares Leal, Adm. Nilson Varella Rübenich e Admª. Ione Sardão da Silva. O vice-presidente Administrativo da autarquia, Adm. Júlio César Lopes Abrantes, fez a mediação.
Inicialmente, Divane trouxe o panorama dos institutos federais no Brasil, explicando a legislação por trás e elencando que no Rio Grande do Sul existem três. O surgimento do IFRS - campus Restinga, segundo ela, é “fruto de muita luta da comunidade”, e passou a representar uma gama de oportunidades (e desafios) para a população local, que fica no bairro mais populoso do estado – o último censo do IBGE, de 2022, revelou que quase 63 mil pessoas habitam a Restinga, na zona sul de Porto Alegre.
Logo após, Nilson discorreu sobre a infraestrutura do instituto voltada à tecnologia, à inovação, à ciência e ao empreendedorismo, dando maior empoderamento à sigla “Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia”. "O parque tecnológico junta profissionais da academia e do mercado", salientou. Depois, a Admª. Ione Sardão da Silva, que também é coordenadora da Câmara de Ensino do CRA-RS, afirmou que a instituição possui um “papel social e econômico muito forte na região”, citando a diferença de idade dos alunos como um dos desafios: "Nós temos alunos com idades que variam de 18 a mais de 63 anos. Como eu posso trabalhar com essa variedade?", indagou.
Ano que vem, o EGAD, novamente, será uma oportunidade para quem busca o conhecimento dentro da área da Administração. Na academia ou no mercado.
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