O Adm. Marcelo de Elias, considerado um dos melhores palestrantes do Brasil, falou sobre mudanças e inovação em mais uma etapa do Ciclo que passou por Erechim, Frederico Westaphalen e Passo Fundo
 
Dando continuidade a uma fábula que mostra que não se pode desistir nos momentos difíceis, o Adm. Marcelo de Elias, um dos maiores especialistas em Gestão de Mudanças e Inovação do Brasil abriu a semana de Ciclo de Debates em Administração (XVI CIDEAD) nas cidades de Erechim, Frederico Westphalen e Passo Fundo, evidenciando a importância do fazer diferente. “Duas moscas caíram num copo de leite. A primeira chegou ao fim da linha e desistiu de tentar sair, já a segunda, menos forte e brava que a outra, lutou muito batendo suas asas até formar uma pequena base de manteiga e conseguir sair voando. A primeira parte da história é assim, mas eu sugiro continuar...”, contou ele, acrescentando que dias depois do primeiro ocorrido o acidente voltou a acontecer. “A mosca então repetiu sua atitude de tentar sobreviver batendo as asas, porém, sua companheira de luta mais nova, lhe chamou para subir por um canudo que havia no copo, mas ela cheia de autoconfiança a ignorou baseando-se em sua experiência anterior e no fim afundou, pois o copo era de leite desnatado”, brincou ele, destacando que a moral da história é que nem sempre sairemos vitoriosos agindo da mesma forma que no passado. 
 
“Todos conhecem a frase ‘quem faz sempre as mesmas coisas, tem sempre os mesmos resultados’, mas eu diria que ela mudou: ‘quem faz sempre as mesmas coisas tem sempre resultados piores”. Para Elias, a forma, o jeito de fazer é diferente. Temos que nos reinventar, não significa que se eu tive sucesso agindo de determinada maneira eu terei sucesso se permanecer agindo assim”, exaltou, deixando o recado da inovação com um trecho da música de Lulu Santos: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. 
 
Reforçando que é preciso mudar, inovar, renovar, ele faz referência ao pai da Administração moderna Peter Drucker: “A velocidade das mudanças e das descobertas ultrapassa nossa capacidade de nos mantermos atualizados”. A frase de Drucker é da década de 70, mas faz cada vez mais sentido no contexto atual, com a tecnologia nas nossas mãos o tempo todo. O palestrante considera que vivemos em um mundo VICA – volátil, incerto, complexo e ambíguo. “Nesse cenário a ordem é buscar o novo, reinventar-se e surpreender o mercado, o chefe e as organizações onde vocês estão inseridos. E é isso que é a inovação, novas ideias que são implementadas e que fazem diferença para alguém”, revelou, acrescentando ainda a importância da flexibilidade e adaptação em um cenário de incertezas. 
 
Ele enfatiza que o melhor momento para mudar é quando você não precisa mudar, ou seja, mudar em função de oportunidades e não de problemas. “Inovação é um pensamento proativo e não reativo. Há duas competências fundamentais para todos nós:  saber aprender o novo e, tão importante quanto, conseguir desaprender o velho”. O Administrador trouxe ao conhecimento do público dados do Relatório The Biology of Corporate Survival da BCG (Boston Consulting Group) que destaca que até 2023, uma a cada três empresas vai desaparecer por não conseguir se adaptar a esse ambiente complexo. “Essas organizações se apegaram ao modelo de sucesso e não se adaptaram ao modelo de transformação. O mercado mudou, hoje as pequenas estão devorando as grandes, pois elas entram no mercado com conceitos novos, agilidade e flexibilidade. Atributos necessários para um mundo de inovação”, apontou, trazendo exemplos de companhias que acabaram falindo por esse motivo como Blockbuster, Kodak, Orkut, Atari, Yahoo, entre outras. “Isso ocorreu, pois elas insistiram nos seus erros por meio de um pensamento analógico, linear, segmentado, repetitivo, previsível. Já outras, como o Uber, se baseou pelo pensamento digital, conectado, disruptivo, com mais responsabilidades coletivas.” 
 
Com uma vasta experiência de mercado, o profissional alerta para que os alunos da área da Administração ocupem seu papel nesse novo mundo. “O que é de fato um ecossistema de inovação? É quando as empresas, investidores, universidades, entidades e governo se unem por meio de sistemas como os parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras para construírem soluções melhores. Então a inovação não está na mão mais de um ou de outro, ela deve ser compartilhada. E nesse cenário é fundamental se ter gestão e é isso que nós, Administradores precisamos fazer”, afirmou, enaltecendo que a inovação é fruto de muita administração de uma ideia e não requer só criatividade, ela requer empreendedorismo, requer gestão. 
 
O profissional também compartilhou com o público o dado de que o Brasil está na posição 64ª entre os países mais inovadores, porém é considerado um dos mais criativos. “Falta patentes, incentivos, capacitação dos profissionais e interesse em inovar. Para ser inovador, antes é preciso ser empreendedor. Só assim não morreremos afogados com as ondas da mudança como a mosquinha do leite”, provocou ele, alegando ainda que o que hoje parece ser extraordinário, em pouco tempo será ordinário. Aos profissionais da área, ele aconselha que é preciso fomentar a cultura da inovação, o desenvolvimento de novas competências, analisar oportunidades e estruturar plano de negócios, entre tantas outras coisas. “Vamos em frente porque atrás vem gente? Não! Porque já tem um monte de gente na nossa frente. Temos que ter coragem, palavra que significa agir com coração, ou seja, agir com sentido, com propósito, com algo que te impulsiona”, finalizou dando um ‘banho’ de motivação e entusiasmo aos participantes.